sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Arte

As oficinas a seguir foram pensadas em uma visão do ensino de arte como linguagem e como área do conhecimento humano. A arte, patrimônio cultural da humanidade, não só nos faz entender o passado; também ressignifica o presente e antecipa o futuro: esse mundo que ainda não é, mas pode vir a ser, torna-se real nas pinturas, filmes, histórias em quadrinhos, na música, no teatro, enfim em toda as linguagens artísticas. Dessa forma, quem sabe, formando cidadãos mais conscientes e críticos, talvez possamos, também através da arte, sensibilizá-los a serem os transformadores da sociedade, naquilo em que mudanças se fazem urgentes.
Assim, as oficinas aqui propostas não se resumem a um simples fazer, lazer ou à produção de objetos supostamente artísticos, mas visam levar os alunos a refletir sobre as questões propostas, pretendendo que essa reflexão sobre a erradicação do trabalho infantil não se esgote na sala de aula, mas se estenda ao dia-a-dia dos envolvidos.
É importante que você converse com os professores dos outros componentes curriculares, como Ciências, História, Geografia, Língua Portuguesa, que também estarão trabalhando neste projeto, para que seu trabalho seja mais rico e para garantir que os alunos já tenham discutido e aprofundado, nessas disciplinas, a questão do trabalho infantil. É imprescindível a leitura atenta, consciente, do volume 1.
Estas atividades podem ser desenvolvidas com alunos a partir da 1a até à 8a oitava série, mudando apenas o grau de profundidade com que cada conteúdo será trabalhado.
O tempo destinado a elas será idealmente de no mínimo duas horas-aula, podendo ser ampliado ou reduzido de acordo com as necessidades, idade e interesse da classe.
Os materiais sugeridos podem ser ampliados utilizando-se recursos da própria região, como tintas feitas a partir de flores, folhas, pedras, terra, pigmentos, etc.; bem como os pincéis feitos com fibras, etc.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Atividade 3

O trabalho infantil na comunidade

Objetivo: Obter dados e informações a respeito das atitudes para com o trabalho infantil na sua comunidade.
Material necessário: papel, lápis, borracha, régua, cartolina e recortes de jornais e revistas.

Para classes da 3º ao 5º ano
Converse sobre as atividades já realizadas sobre o assunto e anuncie que irão fazer um “mapeamento” do que as pessoas pensam sobre o trabalho infantil. Faça junto com a classe um roteiro de perguntas para ser usado em entrevistas com os pais e outras pessoas. É muito importante procurar as mais diversas pessoas da sua comunidade, como o padre, o dono da venda ou mercearia, algum político local vereador ou prefeito, outros professores, donas de casa, motoristas, vendedores ambulantes, feirantes etc.
O roteiro sugerido envolve questões sobre o trabalho infantil como:
1) O sr(a). conhece alguma criança que trabalha? Qual o tipo de trabalho desempenhado?
2) Qual a sua opinião sobre o trabalho infantil?
3) Por que existe o trabalho infantil?
4) Quais as conseqüências para as crianças que trabalham muitas horas por dia?
5) Qual a sua opinião sobre o papel dos governos no combate ao trabalho infantil?
6) Na sua opinião, como a sociedade deveria se organizar para ajudar a acabar com o trabalho infantil?
Peça aos alunos para anotar as respostas de maneira organizada nos cadernos.
Após a pesquisa, forme grupos para que discutam e comparem as respostas obtidas. Em seguida, anote os resultados na lousa, em forma de relatório, e incentive comentários. Peça que copiem e ilustrem o relatório em seus cadernos.
Ainda em grupos, peça que criem pequenos cartazes com frases (que podem ser ilustradas com colagem ou desenho) sobre as principais conclusões a que chegaram após as entrevistas: opiniões sobre trabalho infantil, por que crianças trabalham, por que não devem trabalhar em hipótese alguma, o papel do governo e da sociedade em combater o trabalho infantil. Organize uma exposição dos cartazes no pátio da escola, não esquecendo de reservar alguns para expor no evento final.


Para classes da 6º ao 9º ano
Adote os mesmos procedimentos acima para fazer a pesquisa. Se preferir, acrescente questões, para ampliar o debate sobre o tema:

7) O sr(a). conhece ou já ouviu falar do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)?
8) Conhece os direitos das crianças? Quais?
9) A sua comunidade já promoveu alguma atividade para defender os direitos das crianças e adolescentes?
10) Na sua opinião, em que idade a criança deve completar sua educação? Em que idade deve ser permitido que a criança comece a trabalhar?
11) Sua escola ou a do seu filho organizou alguma atividade relacionada aos direitos da criança e do adolescente, ou ao trabalho infantil?
12) Conhece alguma organização local, nacional ou internacional que atua na defesa dos direitos das crianças?
13) O que o sr(a). pode fazer para contribuir para o fim do trabalho infantil?
Após a pesquisa, proponha aos alunos a elaboração de cartazes com tabelas e gráficos de barras dos dados obtidos (se necessário, peça a colaboração do professor de Matemática).
Promova a discussão coletiva dos resultados, relembrando o que estudaram sobre “justificativas” para o trabalho infantil em História e Português.
Finalize essa atividade solicitando à classe que escreva uma carta sobre os direitos das crianças, as conseqüências do trabalho infantil na vida delas e cobrando providências para sua eliminação. Com auxílio do professor de Português, proceda à revisão do texto coletivo.
Envie cópias dessa carta a representantes como vereadores da cidade, deputados estaduais e federais, de Conselhos Municipais e do Ministério Público.

Atividade 2

Representações do trabalho infantil

Para classes da 1º ao 5º ano

Representando o tempo infantil em gráfico
Objetivo: propiciar reflexão sobre a rotina diária da criança que trabalha, identificando o trabalho precoce como impedimento ao exercício dos direitos das crianças e jovens.
Material: Folhas de sulfite com “relógio” desenhado; lápis de cor.

Pergunte aos alunos como é sua rotina diária.
Compare diferenças e semelhanças entre as rotinas. Distribua folhas de papel com um círculo desenhado, dividido em 24 partes (cada uma representando uma hora do dia). Diga que vão representar nesse círculo suas atividades diárias, em horas. A fatia correspondente a cada tipo de atividade deve ser pintada de uma cor ou um jeito diferente; será preciso fazer uma legenda.
Combine coletivamente as cores, por exemplo: tempo de dormir = cor laranja; tempo de brincar = cor verde; e assim por diante. Faça alguns exemplos na lousa e depois peça que cada um registre a sua rotina diária, começando pela hora em que acorda. Oriente a construção da legenda. Depois de prontos, os “relógios” podem ser vistos pela turma toda e comparados (“Você dorme mais do que eu!”). Aproveite para explicar como uma representação gráfica permite visualizar mais facilmente determinadas situações.
Pergunte então à classe se conhecem alguma criança que trabalha. Devem tentar imaginar como é sua rotina diária. Se não conhecerem, leia para a classe este exemplo, do dia-a-dia de uma criança que trabalha (texto criado com base em depoimentos de crianças trabalhadoras): Meu nome é Ednaldo. Tenho 12 anos e moro com minha mãe e quatro irmãos. Parei de estudar na primeira série com oito anos, para trabalhar na roça. Depois minha família mudou para um lugar que tem muita plantação de cana. – Como é o meu dia? Eu levanto às 5 horas da manhã, não como nada e vou esperar o caminhão. Ando meia hora até o caminhão e depois mais uma hora até chegar na plantação.
Trabalho até meio-dia, almoço em meia hora e continuo cortando cana. Depois, faço uma esticada até às 17 horas. Só paro para beber água, de vez em quando. Depois volto de caminhão e ando até minha casa. Janto e vou dormir, porque estou muito cansado. No dia seguinte, começo tudo de novo. – Brincar? não dá tempo, não. Só no domingo, quando jogo
bola com os amigos ou tomo banho de rio. Meu maior sonho? Voltar a estudar. Eu queria tanto saber ler e escrever, pelo menos o nome.

Distribua agora novas folhas com círculos, pedindo que registrem a rotina diária de Ednaldo. Incentive a comparação entre as rotinas da classe e de Ednaldo e conversem sobre o porquê dessas diferenças. Peça que sugiram saídas para que Ednaldo volte a ter o direito de estudar e brincar.

Para classes da 6º ao 9º ano

Representando o trabalho infantil por meio de mapas
Objetivo: Conhecer os tipos de trabalho infantil mais freqüentes nas regiões do Brasil, por atividade econômica e condições de trabalho.
Material: Atlas, mapa do Brasil, cartolina, lápis de cor, revistas velhas; Texto 19.

Apresente um mapa do Brasil por região e estados que compõem cada região. Peça que, em duplas, os alunos abram seus Atlas em página que contenha mapa semelhante.
Faça solicitações como localizar o estado e a região em que se encontram e, nesta, sua cidade; pergunte o que conhecem sobre os outros estados, se alguém na classe veio de outro estado ou se tem algum familiar que mora em outro estado, se já viajou para outro estado etc.
Apresente então cada região e os estados que a compõem. Informe os critérios utilizados para essa separação. Informe que vão estudar agora os aspectos característicos de cada região, em relação ao trabalho infantil.
Divida a classe em cinco grupos. Cada grupo será responsável pela representação do trabalho infantil em uma região do Brasil, tendo os quadros reproduzidos no Texto 19 como referência.
Em cartolina, cada grupo deverá desenhar (reproduzir o mais fielmente possível) o contorno da “sua” região e os respectivos estados.
Proponha que desenhem, em seu mapa, símbolos que representem o trabalho infantil, de acordo com as informações do Quadro “Trabalho infantil nas regiões do Brasil” (Texto 19). Os alunos podem também utilizar recortes de revista para criar os símbolos. Não esqueça de orientá-los a construir uma legenda adequada, representando o trabalho executado, bem como indicar o título (nome da região) e os nomes dos estados.
Prontos os mapas, afixe-os em lugar visível a todos e promova uma discussão: O que há de comum nas condições de trabalho a que estão submetidos adolescentes e crianças? Quais tarefas são executadas geralmente? Quais as características dessas tarefas? Discuta com a classe as causas e os efeitos perversos do trabalho infantil. Conte um pouco do que já vem sendo feito, no país, para eliminação do trabalho infantil.
Os cinco mapas feitos, se juntados em um grande painel, poderão transformar-se em um cartaz gigante, ao qual poderão ser acrescentadas frases de repúdio ao trabalho infantil. Esse painel poderá ser exposto no evento de encerramento do projeto na escola.

Atividade 1

Criança não trabalha

Objetivo: Refletir sobre a importância do brincar na infância. Compreender que a criança que trabalha é impedida de brincar em sua infância.
Subsídios: textos do v.1 sobre o ECA e o direito ao brincar (p.31-37).
Material: papel sulfite; espaço para realizar brincadeiras; para os maiores, reprodução de mapas do município e do Texto 18.

Para classes da 1º ao 5º ano
Realize esta atividade
preferivelmente depois de ter desenvolvido com a classe a atividade 6 de História, sobre brincadeiras. Retome com os alunos as brincadeiras de que mais gostam, listando-as. Se o álbum já estiver pronto, devem recorrer a ele. Em seguida, proponha uma classificação das brincadeiras, segundo o lugar em que costumam ser brincadas (em casa, na escola, na rua). Sugira que escolham uma para brincar agora e marque um tempo para brincarem. Assim, irão perceber que, para brincar, as crianças precisam de espaço e tempo.
Depois, pergunte se é bom brincar, por quê, e como se sentiriam se não tivessem tempo para brincar.
Diga que vão em seguida ler uma letra de música (ou ouvir a música, se possível) que fala sobre brincadeiras. Distribua o Texto 18 e proponha inicialmente a leitura silenciosa, explorando depois outras formas de leitura – por estrofe, em jogral etc., buscando a compreensão do texto. Estimule comentários sobre o título da canção (Criança não trabalha). Pergunte se conhecem ou ouviram falar de crianças que não brincam e por quê. Pergunte o que sabem sobre crianças que trabalham e que tipo de trabalho realizam. Se ainda não o fez, verifique se há na classe crianças que trabalham (veja orientações na atividade 3 de História), ou se sabem de colegas de outras classes que trabalham.
Converse com as crianças sobre o assunto, procurando despertar nelas o sentimento de solidariedade e respeito em relação a esses colegas. Retome os cartazes feitos em sala nas atividades 3 e 5 de História: devem verificar agora se o direito de brincar ficou claro nos cartazes. Para finalizar, redija um pequeno texto coletivo – que os alunos deverão registrar em seus cadernos – sobre o direito de brincar, os espaços e tempos que precisam ser destinados a essa atividade tão importante para o desenvolvimento saudável.

Para classes da 6º ao 9ºano.

Distribua à classe e proponha a leitura do Texto 18 (letra da canção Criança não trabalha).
Promova comentários coletivamente; com a ajuda do professor de Português, busquem reconhecer os artifícios poéticos utilizados pelos autores ao montar a “lista” dos elementos da vida das crianças. Em seguida, em grupos, os alunos irão classificar as brincadeiras mencionadas: as que são feitas individualmente e em grupos; depois, montar um terceiro grupo, listando as brincadeiras que de que eles próprios mais gostam. Depois que apresentarem suas listas ao coletivo da classe, conduza a discussão, primeiro, sobre locais para brincar na comunidade; sugira que citem quais lugares a comunidade oferece para o lazer das crianças e jovens, se são adequados e quais alternativas podem ser criadas para o lazer. Depois, introduza a questão da criança que trabalha, como sugerido acima: tem tempo para brincar?
Discuta coletivamente a importância do brincar.
Depois da discussão, proponha aos alunos, em grupos, o desenho de um mapa com as áreas de
lazer ideais, segundo eles. Distribua aos grupos reproduções do mapa do município onde fica a escola (ou planta do bairro, no caso de cidades grandes), pedindo que, primeiro, identifiquem as áreas de lazer existentes com um símbolo e criem uma legenda explicando-o. Em seguida, avaliem se são suficientes, se estão bem distribuídas (ou concentradas junto aos bairros
das camadas de melhor renda?) , propondo que indiquem quais áreas poderiam ser transformadas em novas áreas para atividades esportivas e culturais, brincadeiras etc.; depois de delimitá-las, devem identificá-las com outro símbolo e completar a legenda. Os novos “mapas do lazer” devem ser apresentados a toda a classe, comparados, discutindo-se o que poderia ser feito para torná-los “verdadeiros”.
Conclua a atividade com um debate a respeito da importância do brincar na infância – e o trabalho infantil como a negação do direito ao brincar.

Geografia

O objetivo destas atividades de Geografia é refletir sobre o trabalho infantil no território brasileiro, buscando identificar diferenças regionais e as várias formas de trabalho infantil mais freqüentes em cada região – e desenvolver, nos alunos, habilidades de construção e leitura de mapas e gráficos. Esse estudo, porém, sempre toma como ponto de partida as instâncias mais próximas das crianças – a casa, a escola, o município.
Estas atividades pretendem integrar-se ao conjunto das realizadas em outras disciplinas e em toda a escola. Procure valorizar o espaço público, a escola, os centros comunitários como locais privilegiados para ampliar o debate sobre a erradicação do trabalho infantil.

Atividade 4

Prostituição infantil

Objetivos: identificar a prostituição como uma prática do trabalho infantil; contribuir para o conhecimento e prevenção da AIDS, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez; contribuir para a formação de atitudes não-discriminatórias, de combate urgente a essa prática e de respeito aos direitos de toda criança. Subsídios: textos sobre as convenções da OIT (p.8) e o direito à educação (p.34-35) do volume 1.
Material: reprodução do Texto 17.

Para classes da 6º ao 9º ano
O tema proposto é de difícil abordagem. No entanto, é importante discuti-lo, uma vez que aparece muito na mídia e, com certeza, é de conhecimento dos alunos mais velhos. A dificuldade de abordagem deve-se ao fato de envolver preconceito e valores. Ao desenvolver a
atividade, procure levar os alunos a perceber diferentes possibilidades de valorizar a vida, fortalecendo a autoestima e o respeito às diferenças. É importante dosar o tipo de informação e a profundidade com que será abordada de acordo com a capacidade de entendimento e o interesse demonstrado pelos alunos.
Se não se sentir à vontade para tratar do tema com a classe, você pode convidar alguém da comunidade, especialista ou médico, para conversar sobre exploração de meninas, prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis, gravidez na adolescência.

Inicie propondo a leitura do Texto 17, extraído de uma reportagem sobre prostituição infantil.
Após a leitura e comentários, inicie uma discussão coletiva, perguntando: Que fatores levam meninas a se prostituir? Quais os riscos que uma menina corre ao exercer tal profissão?
De que forma seria possível minimizar esses riscos (fatores de proteção)? Para facilitar a organização das idéias que forem surgindo, monte na lousa um quadro com os riscos, as conseqüências e os fatores de proteção.
Durante a discussão, deve aparecer o risco de contrair o vírus HIV, doenças venéreas e o da gravidez indesejada, como mais comuns nesse trabalho. Encaminhe a discussão para enfatizar as condutas preventivas (principalmente o uso de camisinha) e promover debate sobre obstáculos que dificultam a prevenção. Lembre a classe que essa medida de prevenção deve ser utilizada por todas as pessoas (e não apenas as que se prostituem), pois todas correm o risco de contaminação. Em relação à AIDs, evite tratá-la como uma “doença que mata”, pois isso tem se revelado contraproducente. Como é uma doença para a qual ainda não se tem a cura, a mensagem fundamental é de que pode ser evitada pelo uso de camisinha em todas as
relações sexuais.
Além da promoção da saúde, conteúdos importantes a serem trabalhados são a valorização da vida e o respeito ao outro (“Pense o que significa na sua vida ter respeito pelo outro. Você se lembra de alguma situação em que se sentiu respeitado, valorizado e outra, em que tenha sido desrespeitado?).
Conduza a conversa então para as atitudes frente às pessoas – especialmente às meninas e meninos – que trabalham na prostituição. Esteja atenta/o para detectar e discutir o preconceito.
Esclareça o significado de preconceito e discriminação, discutindo o preconceito explícito e as formas veladas como se manifesta. Resgate com os alunos algumas expressões discriminatórias. Converse com a classe sobre esses preconceitos e mostre a situação em que as meninas prostitutas se encontram, vítimas de todo o tipo de preconceito, sujeitas à violência física e emocional, e expostas a sérios riscos à saúde. Retome os Textos 17 e 14 (Direitos da criança). Sugira que verifiquem quais direitos de Rosa estão sendo violados, perguntando, Rosa trabalha na prostituição porque gosta? Lembre os alunos que Rosa, aos 13 anos, simplesmente não deveria estar trabalhando em coisa alguma.
Contraponha essa idéia à última frase do texto, sobre o maior desejo de Rosa. Que escolhas essas meninas têm? Que oportunidades têm de exercer seu direito à infância?
Para finalizar, fale um pouco sobre a Convenção da OIT sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil (p.8 do v.1), que incluem a exploração sexual infantil com fins de prostituição, ou exploração econômica sexual da prostituição infantil, que atinge não só meninas, mas também meninos. Implica riscos enormes (físicos, psíquicos e morais) não apenas da AIDS e gravidez mas, principalmente, por constituir uma forma extrema de exploração – e, em muitos casos, de trabalho forçado e até de escravidão – da qual as crianças e adolescentes não têm como se esquivar e em que são submetidas a maus-tratos e extorsão.
No Brasil, essa forma de exploração assume proporções assustadoras; meninas e meninos são recrutados, muitas vezes enganando-se crianças e seus pais, por redes de tráfico criminoso que alimentam o chamado turismo sexual. A criança e o adolescente explorados sexualmente com fins de prostituição são principalmente vítimas dos adultos e, como tal, devem ser protegidos, resgatados, reabilitados e integrados na sociedade.
Divida a classe em grupos e sugira que criem cartazes com slogans sobre o que estudaram (prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive AIDS; necessidade de combater atitudes discriminatórias e preconceituosas; e, principalmente essa forma extrema de trabalho infantil, que é a prostituição). A classe pode montar um painel coletivo sistematizando as idéias discutidas destacando o combate ao trabalho infantil, a proteção à saúde das crianças e a valorização da vida.

Atividade 3

Os catadores de lixo

Objetivos: sensibilizar sobre o trabalho de crianças e adolescentes em depósitos de lixo; perceber o quanto é insalubre a vida dos catadores de lixo; alertar e desenvolver atitudes de cidadão para com questões relativas à produção de lixo, desperdício, possibilidade de reaproveitamento e destino adequado ao que não pode ser reutilizado.
Subsídios: Quadro anexo ao v.1 e seção “Efeitos perversos do trabalho infantil”, v.1, p.16-17
Material: para 5a a 8a séries, reprodução do Texto 16.

Para classes da 1º ao 9º ano
Proponha aos alunos que façam uma pesquisa em casa sobre a qualidade do lixo produzido e o destino que lhe é dado. Comece perguntando se existe coleta de lixo no bairro onde as crianças moram, se sabem para onde esse lixo é levado e o que é feito com ele. Isso pode levar a uma investigação bem interessante, pois a maioria de nós não se preocupa com o destino do lixo que vai da porta para fora.
Discuta o conceito de lixo com os alunos e peça que procurem no dicionário o significado da palavra. Eles encontrarão a definição como “sujeira, imundície, coisa ou coisas inúteis, velhas sem valor”. Explique que, em linguagem técnica, é sinônimo de resíduos sólidos, consistindo em “materiais descartados pelas atividades humanas”. Contrapondo esses dois significados, os alunos poderão perceber que os materiais descartados pelas atividades humanas nem sempre são inúteis e que algumas pessoas podem encontrar utilidade nesse “lixo”. Verifique o que sabem a respeito dos chamados catadores de lixo.
Explique que os catadores de lixo exercem uma função ecológica importantíssima, pois recolhem material que pode ser reutilizado ou reciclado, contribuindo para diminuir o desperdício e as montanhas de lixo à mercê do tempo. Mas essa não é uma atividade digna de um ser humano, pelas condições insalubres e subumanas em que atuam.
Organize com a classe uma lista do que jogam fora como sendo “lixo”, e que outra utilidade poderia ser dada a esse “lixo”. Introduza o conceito de reutilizar, que difere do conceito de reciclar. Reciclar significa transformar os restos descartados por residências, fábricas, lojas e escritórios em matéria prima para a fabricação de outros produtos. Não importa se o papel está rasgado, a lata amassada ou a garrafa quebrada, pois ao final tudo vai ser transformado em novos objetos e embalagens. Ao reutilizar, estamos dando nova utilidade ao mesmo produto. Ao invés de descartar garrafas de plástico, podemos transformá-las em vasinhos de plantas, portalápis, porta-trecos etc. Com essas questões em mente, proponha que, ao voltar para casa, os alunos investiguem seu lixo doméstico. Deverão fazer uma lista do que vai para o lixo. Também podem pesquisar, em casa, quanto lixo a família produz diariamente. Os mais velhos poderão fazer estimativas do volume (em litros) de lixo recolhido em um dia e dividir pelo número de pessoas que moram na mesma casa, chegando, assim, ao valor de produção individual.
Com o resultado das pesquisas em casa, a classe irá analisar o lixo produzido, separando-o em reciclável e não reciclável. Faça na lousa uma lista dos itens que forem apontando, separando-a em duas colunas, de lixo reciclável e de não- reciclável.
Usando a lista, discuta com os alunos os conceitos de reciclar e reutilizar. Fale também das pessoas, adultos e crianças, que conseguem sobreviver nos depósitos de lixo catando o que a maioria das pessoas considera sem utilidade Discuta ainda a problemática do excesso de lixo, da falta de espaço para depositá-lo – e da necessidade de erradicar o trabalho infantil nesse espaço.
Se for possível, a classe será ainda mais sensibilizada assistindo ao documentário Ilha das Flores, com roteiro e direção de José Furtado (1989)
Depois, distribua o Texto 16 (É ruim ser criança) – ou leia-o para as crianças menores – e, após a leitura, inicie uma discussão com os alunos: A atividade de catar lixo é adequada às crianças? Por quê? Qual a função dessas crianças no lixão? A que riscos crianças catadoras de lixo estão sujeitas? Quais as conseqüências desses riscos para a saúde?
Ao discutir as conseqüências para a saúde, considere, além dos acidentes com objetos cortantes, também a presença de lixo hospitalar e tóxico (se houver); informe aos alunos que a presença de todo tipo de lixo junto, hospitalar, residencial e tóxico, aumenta em muito o risco de contaminação das crianças que vivem da coleta de lixo; em algumas cidades, o lixo hospitalar é coletado e tratado separadamente, para evitar o risco de contaminação. Verifique se isso acontece na sua cidade. Também reforce o risco de transmissão de doenças por animais como moscas, ratos, pulgas e baratas.

Atividade 2

O direito à saúde

Objetivos: conhecer e refletir sobre o direito das crianças à saúde; conhecer os riscos à saúde a que estão sujeitas as crianças trabalhadoras.
Sugerimos, como subsídio, que analise o quadro anexo ao volume 1, especialmente a nota relativa aos riscos à saúde implicados nos trabalhos exercidos por crianças em todo o Brasil.
Material: papel pardo; revistas, jornais, folhetos de propaganda variados, com imagens de crianças exercendo diversas atividades; canetas coloridas, tesoura, cola; cartaz 2; para 6º ao 9º ano, reprodução do Texto 15.

Para classes da 1º ao 9º ano

Inicie a atividade escrevendo na lousa uma forma concisa do 3o direito da criança:
TODA CRIANÇA TEM DIREITO A CRESCER COM SAÚDE
Converse com os alunos sobre esse direito e seu significado. Verifique se a classe já aprendeu sobre o ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente. (atividade 5 de História). Se não, explique que é a lei brasileira que assegura esses direitos – dentre os quais o direito à saúde integral. Inicie discutindo o que entendem por saúde. É comum pensarem que ter saúde é não estar doente. Explique-lhes o conceito mais abrangente de saúde, definido pelo bem-estar físico, psíquico, emocional, e que inclui as condições de vida – alimentação, vestuário e moradia adequados – e assistência médica.
Distribua o Texto 15 (O trabalho no sisal), no caso dos alunos mais velhos, sugerindo leitura individual, ou leia-o com a classe, no caso dos mais novos. Após esclarecer o sentido de palavras desconhecidas e certificar-se de que compreenderam o texto, pergunte: Essas crianças têm garantido o direito à saúde?
Peça que releiam o texto para responder: Quais os riscos à saúde de Paulo Sérgio e de Éris?
Quais as conseqüências à saúde do trabalho que fazem? Esse trabalho é adequado a uma criança? Pergunte ainda: De acordo com esses depoimentos, além do direito à saúde, que
outros direitos da criança estão sendo violados?
As respostas devem ser anotadas na lousa e nos cadernos.
Em seguida, em discussão coletiva, procure saber dos alunos de que tipo de assistência à saúde dispõem: eles têm garantido esse direito?
Deixe-os falar livremente. Mesmo no caso de os alunos disporem de assistência satisfatória, lembre-os de que esse é um direito de todas as crianças. Pergunte à classe se acham que todas
as crianças (do bairro, da cidade) têm acesso a assistência médica.
Caso negativo, proponha descobrirem o que poderia ser feito para garantir a todas as crianças o direito à assistência à saúde. Em grupos, os alunos podem fazer uma pesquisa na comunidade, verificando os postos existentes e a população que a eles têm acesso. Também podem convidar um profissional da área de saúde para conversar sobre o atendimento às crianças e adolescentes locais e o que poderia ser feito para melhorá-lo. Se for o caso, os alunos podem confeccionar um cartaz reivindicando as melhorias necessárias. Os das séries mais adiantadas podem escrever uma carta ao prefeito, aos Conselhos Municipais de Saúde e dos Direitos da Criança do Adolescente.
Para aprofundar o conhecimento da realidade das crianças que trabalham e os danos causados à saúde pelas atividades exercidas, sugerimos uma atividade usando imagens. Com isso os alunos também irão perceber que a imagem, tal como o texto escrito, pode ser veículo de informação. Nas aulas de História e Português, provavelmente já terão analisado o cartaz 2, com fotos de crianças trabalhando. Proponha então a montagem coletiva de um painel, utilizando imagens e textos.
Distribua as revistas, jornais e outros materiais que tiver reunido; peça-lhes que retomem também os textos já lidos, os relatos e depoimentos coletados nas entrevistas feitas nas aulas de História e Geografia. Oriente-os a, em grupos, selecionar e recortar imagens que mostrem crianças trabalhadoras em diferentes setores da economia, em atividades rurais e urbanas. Se não encontrarem determinadas imagens, podem desenhar, com base nas fotos do cartaz ou nos depoimentos escritos. Essas imagens irão compor um painel, montado em papel pardo.

Promova a leitura das imagens selecionadas:

Que sensações as imagens provocam em vocês?
Conduza os alunos a fazer descrições detalhadas: a partir de uma dada imagem de criança, devem indicar a idade aparente, a cor da pele, as roupas, descrever aspectos de higiene, do ambiente em que trabalha, se está acompanhada ou sozinha, o que faz, sua expressão do rosto etc. Depois, oriente a montagem do painel, propondo que escrevam uma legenda para cada imagem, com base nas entrevistas, depoimentos ou textos lidos.
Finalmente, com o painel montado, promova uma discussão coletiva: Quais as condições de vida desses meninos e meninas? Quais serão as conseqüências dessas atividades para a saúde das crianças?

Retome o direito à saúde: com base nas imagens, textos e nas explicações dadas por você, façam uma lista dos riscos à saúde a que estão sujeitas essas crianças. Anote na lousa e peça que os alunos registrem nos cadernos. A discussão coletiva deve levá-los a perceber as condições arriscadas e injustas em que vivem as crianças trabalhadoras.

Atividade 1

Conhecendo seus direitos

Objetivos: Conhecer a declaração dos direitos da criança da ONU; promover a discussão dos direitos da criança e da importância do documento. Como subsídio, releia o capítulo “Os direitos da criança e do adolescente”, no v.1 (p.31-35).
Material: papel pardo, giz de cera, lápis de cor, canetas coloridas, tesoura, cola; cartaz 1; para 5a a 8a séries, reprodução do Texto 14.

Para classes da 1º ao 5º ano
Inicie esta atividade esclarecendo que todo ser humano, adulto ou criança, tem garantidos direitos humanos. A criança, por viver uma fase da vida de desenvolvimento de seu potencial, requer atenção e proteção especiais. Um número de instrumentos, nacionais e internacionais, têm sido adotados a fim de proteger esses direitos, visando salvaguardar as crianças da exploração e assegurar que toda criança tenha acesso à educação, a uma vida saudável, e seja capaz de desenvolver-se plenamente.
A Declaração dos Direitos da Criança foi proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em novembro de 1959. Os direitos têm por objetivo garantir que todas as crianças do mundo cresçam em condições humanas, protegidas, alimentadas, com acesso à escola, a médicos e ao mínimo necessário para o desenvolvimento sadio. Infelizmente, porém, tanto tempo depois de assinada, ainda nascem muitas crianças que não podem desfrutar desses direitos.
Afixe o cartaz 1, para que todos conheçam os direitos da criança. Para as classes dos maiores, distribua o Texto 14, que reproduz o teor do cartaz. Após a leitura, proponha a discussão começando pelas perguntas: O que você entende por declaração? E por direito? (Lembrese de uma declaração é um documento, uma lista afirmativa; e direito é faculdade concedida pela lei, poder legítimo.) Forneça os esclarecimentos que forem necessários. Depois, continue a explorar, auxiliando com perguntas como: Qual a importância de ter esses direitos garantidos? O documento refere-se claramente a uma atividade que a criança não deve exercer – qual? De que forma essa atividade compromete o desenvolvimento da criança? A Declaração também protege as crianças de diferentes formas de violência – quais?
Vá registrando, na lousa ou em uma folha de papel pardo, as principais respostas ou resultados da discussão. Para examinar cada um dos direitos, proponha montarem uma frase completa, por exemplo: (n.2) “Toda criança tem o direito de receber um nome e uma nacionalidade ao nascer”.
Em seguida, proponha à classe, oralmente e em rodízio, substituir a expressão Toda criança pelo pronome da primeira pessoa, “eu” – o objetivo é que o aluno se conscientize de que esse conjunto de direitos também se refere diretamente a ele. Assim, o 5o direito será “Eu tenho direito a afeto e segurança”...
Finalmente, proponha aos alunos que, em grupos, escolham um ou mais artigos da Declaração para ilustrar, com desenhos e/ou colagens. Articule-se com o professor de Arte para orientações sobre técnicas. Monte um livro com as ilustrações produzidas e o texto da Declaração, que poderá ser mostrado na exposição para a comunidade.

Ciências

As atividades aqui propostas visam conscientizar os alunos sobre a prática do trabalho infantil e suas possíveis formas de erradicação, contribuindo para o projeto pedagógico da equipe escolar. Será preciso articular-se com os colegas de equipe, principalmente os professores de História, Arte, Português e Geografia, verificando o que cada um estará abordando em suas respectivas aulas, de modo a evitar fragmentação (ou repetição) dos conteúdos.
Atitudes de repúdio à discriminação preconceituosa de diferenças e a situações de violência e autoritarismo devem ser trabalhadas por meio do exercício permanente dos direitos das pessoas, e das crianças em particular, tomando-se como referência o Estatuto da Criança e do
Adolescente. Esta série de atividades pretende contribuir para isso, mediante estudo e reflexão conjunta. Sabendo que toda atividade de sala de aula é única, acontece em tempo e espaço socialmente determinados, envolvendo professores e estudantes que têm particularidades quanto a necessidades, interesses e histórias de vida, confiamos em que você saberá propor as
adequações necessárias a suas classes.

Atividade 6

Organizando o evento final

A escola envolveu-se nas atividades das diferentes disciplinas escolares, muitos trabalhos foram produzidos e alguns já foram compartilhados: jornais falado e/ou mural, dramatizações, exposição de trabalhos artísticos etc. Agora chegou o momento de encerrar a
campanha envolvendo ainda mais pessoas e divulgar tudo o que foi feito.
O evento final será organizado conforme as possibilidades de sua escola e da localidade em que se encontra. Em localidades pequenas é possível organizar uma passeata pelas ruas principais portando cartazes e faixas. Em cidades maiores a manifestação pode acontecer nas ruas que circundam a escola. Nos dois casos, é preciso tomar as medidas de segurança

domingo, 22 de agosto de 2010

Vídeo feito para apresentar em sala de aula, visando conscientização.

Ser criança é assim...

Correr até acabar o fôlego, rolar pelo chão sem medo de se sujar,falar o que vier na cabeça e fazer de qualquer coisa uma brincadeira.
Época da vida da qual temos saudades quando envelhecemos. E é exatamente nesta data dedicada a todos esses pequenos seres, que têm a inocência como principal característica, que devemos não só valorizar a vitalidade infantil, como também procurar resgatar a essência da criança.

Trabalho Infantil - Ajude a combater este crime

O trabalho infantil é um problema grave e freqüente em vários países. No mundo, atualmente, são exploradas 165 milhões de crianças entre 5 e 14 anos de idade. No Brasil 5 milhões de crianças e adolescentes trabalham. O que equivale a 11,5% das crianças do país. Desse total, 6.109 estão no Distrito Federal.

As crianças têm o direito de estudar e brincar. Os pais não devem usar os filhos como mão de obra extra. Esse não é um problema apenas do poder público, mas de toda a sociedade. É dever de todos cuidar do "futuro da nação".

sábado, 21 de agosto de 2010

Leitor clica crianças carregando sacos em Nova Iguaçu e reflete sobre o trabalho infantil



Texto e fotos do leitor Álvaro Jorge Moreira Paço
RIO - Ao retornar de um trabalho, vejo algo bastante comum, pelo menos aqui em Nova Iguaçu: crianças, que deveriam estar em algum local para se divertir, investindo o tempo de sua infância em alguma atividade que seja benéfica para elas, carregando sacos numa atividade que pode caracterizar o trabalho infantil. Nas fotos, elas aparecem carregando um saco que é praticamente de seus tamanhos.

Mas como? Políticos daqui e de tantos outros municípios não estão nem aí para isso. "É normal", eles falam. É só aparecer na mídia que logo tratam de usar o talento deles para transformar o assunto em votos , votos e votos.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Alegações usuais para "justificar" o trabalho infantil.

Apesar de condenável e proibido por lei, ainda há quem procure justificar a necessidade do trabalho infantil. Alguns argumentos, freqüentemente usados para “justificar” essa prática, devem ser refutados (OIT & CECIP, 1995, p.8-9).
“Crianças e jovens (pobres) devem trabalhar para ajudar a família a sobreviver”.
É a família que deve amparar a criança e não o contrário. Quando a família se torna incapaz de cumprir essa obrigação, cabe ao Estado apoiá-la, não às crianças. O custo de alçar uma criança ao papel de “arrimo de família” é expô-la a danos físicos, intelectuais e emocionais. É um preço altíssimo, não só para as crianças como para o conjunto da sociedade pois, ao privá-las de uma infância digna, de escola e preparação profissional, reduzimos o valor dos recursos humanos que poderiam impulsionar o desenvolvimento do país no futuro.
“Criança que trabalha fica mais esperta, aprende a lutar pela vida e tem condições de vencer profissionalmente quando adulta”.
O trabalho precoce nunca foi estágio necessário para uma vida bem-sucedida. Ele não qualifica e, portanto, é inútil como mecanismo de promoção social. O tipo de trabalho que as crianças exercem, rotineiro, mecânico, embrutecedor, impede-as de realizar as tarefas adequadas à sua idade: explorar o mundo, experimentar diferentes possibilidades, apropriar-se de conhecimentos, exercitar a imaginação...
“O trabalho enobrece a criança. Antes trabalhar que roubar”.
Esse argumento é expressão de mentalidade vigente segundo a qual, para crianças e adolescentes (pobres, pois raramente se refere às das famílias ricas), o trabalho é disciplinador: seria a “solução” contra a desordem moral e social a que essa população estaria exposta. O roubo – aí conotando marginalidade – nunca foi e não é alternativa ao trabalho infantil. O argumento que refuta esse é, “antes crescer saudável que trabalhar”. O trabalho infantil marginaliza a criança pobre das oportunidades que são oferecidas às outras. Sem poder viver a infância estudando, brincando e aprendendo, a criança que trabalha não é preparada para vir a ser cidadã plena, mas para perpetuar o círculo vicioso da pobreza e da baixa instrução.
Outro argumento presente na sociedade é o de que o “trabalho é um bom substituto para a educação”.
É usado principalmente no caso de crianças com dificuldades no desempenho escolar.
Muitas famílias, sem vislumbrar outras possibilidades de enfrentamento das dificuldades, acabam incorporando a idéia de que é melhor encaminhar seus filhos ao trabalho. Nesse caso, cabe à escola repensar sua adequação a essa clientela, pois a função social da escola em uma sociedade democrática é permitir o acesso de todos os alunos ao conhecimento.
Em suma, o trabalho infantil não se justifica e não é solução para coisa alguma. A solução para essa problemática é prover as famílias de baixa renda de condições tais que elas possam assegurar a suas crianças um desenvolvimento saudável.